Para a imprensa esportiva, o grande vilão dos estádios de futebol são as torcidas organizadas. Juiz ladrão, cartolas corruptos, técnicos incompetentes/egomaníacos, parcerias suspeitas com a máfia russa, nada disso merece condenação tão veemente quanto esses grupos.
Criou-se a seguinte equação na cabeça do comentarista: o estádio está vazio porque a torcida tem medo da violência, a violência existe por causa das organizadas, o caminho então é acabar com as organizadas. Numa mesa redonda, ninguém tem coragem de questionar os termos dessa fórmula primária. Falar das organizadas é o momento em que o comentarista, cheio de pompa e indignação, sentencia: bandidos, marginais!
Não é o caso de se negar o problema, é preciso coibir, reprimir a violência e impedir que as torcidas – que têm direito constitucional a se organizarem – virem gangues de brigadores de rua. Mas a questão é que uma das regras de ouro do jornalismo é duvidar sempre das verdades estabelecidas e, principalmente, investigar os fatos. Então, quando acontecem conflitos, manda a boa prática profissional que o caso seja esmiuçado e as parte envolvidas sejam ouvidas, sem prejulgamentos descabidos e generalizações apressadas. Não é o que tem acontecido.
No último domingo, ao voltar do Maracanã para São Paulo, vários ônibus da torcida do Palmeiras foram envolvidos em tiroteio e houve um arrastão em pedágio na Dutra. Para o episódio, há duas versões. A da polícia é que os torcedores pararam próximos a uma praça de pedágio e começaram a confusão. As organizadas dizem que receberam tiros de bandidos que promoviam o arrastão e acabaram incriminados injustamente.
Um palmeirense foi baleado na cabeça e outro, que tinha mandado de prisão por falta de pagamento de pensão alimentícia, foi preso.
Um balanço rápido da cobertura do caso mostra que a imprensa comprou de pronto a versão da polícia. Alguns veículos registram a versão das organizadas, outros nem isso fazem. As manchetes, como esta do Estadão, acusam os torcedores.
Palmeirenses são presos na Dutra depois de fazer arrastão
Como já existe uma imagem negativa das organizadas, mesmo que elas sejam vítimas no episódio, qualquer fato não relacionado vira evidência para a condenação. A maioria dos veículos colocou o torcedor preso como um criminoso comum, sem esclarecer que se tratava de processo por falta de pagamento de pensão. Registrou-se o fato de 17 dos torcedores detidos (de 600) terem ficha criminal, como se o fato de um indíviduo ter cometido um crime e cumprido pena o tornasse um bandido irrecuperável.
Nosso leitor, Gioia, indica que a TUP, uma das organizadas envolvidas, publicou uma nota sobre o episódio. Vale a pena ler e reproduzo alguns trechos:
No último domingo, o que se viu foi uma sucessão de atos inadmissíveis e absurdos por parte de uma polícia bairrista e despreparada, que, ao invés de tentar solucionar o problema atacando-o em sua base, preferiu, sabe-se lá porque, encobertar os verdadeiros culpados e o pior, tentando de forma tão ou mais covarde que aqueles que efetuaram os disparos, transferir a culpa do episódio aos que de fato foram vítimas, ou sejam, os torcedores Palmeirenses.
O futebol é tido como uma das paixões nacionais, sendo, de longe, o esporte mais popular do país.Por que então seus apaixonados torcedores não são tratados dignamente pelas autoridades que tem, por dever, frise-se, por dever, oferecer segurança a eles?
Por que policiais de uma forma quase que geral, salvo raras exceções, quando estão vestidas com as sagradas fardas de suas corporações, ao se depararem com torcedores dos mais diversos clubes, os tratam como bandidos, como marginais, agindo com truculência desnecessária, sem a mínima educação e muitas das vezes incitando neles a violência tão e acertadamente criticada pela sociedade?
Por que todos são tratados como turistas ao atravessarem as fronteiras dos Estados e os torcedores, são absurdamente tratados como a escória da humanidade?
Porque a palavra “deles” (policiais) sempre prevalece sobre a do cidadão comum, apaixonado por futebol?
(…)
Ao depararmo-nos com os noticiários a respeito do fato, fomos obrigados a ouvir que fomos detidos pois estávamos tentando promover um “arrastão” no posto de pedágio.
Oras, muito inteligente seria de nossa parte promover um “arrastão” num posto de pedágio, onde, logo a seguir existe um Posto do Policiamento Rodoviário Federal não é mesmo?Muito fácil desviar o foco dos criminosos cariocas que nos atacaram covardemente, imputando a nós a culpa por tão absurdos episódios não é mesmo?
Por que então, até o presente momento, não foram liberadas as fitas dos circuitos de segurança do posto de pedágio, comprovando a tentativa de arrastão?
Vale registrar que o OV condena muito fortemente a violência e qualquer forma de agressão, seja contra quem for.
PS: a Mancha Verde também publicou nota sobre o caso.
Eu já tinha achado esta estória estranha, pois assistindo ao jogo havia crianças e senhores de 50 – 60 anos na torcida do Palmeiras. E como o Gioia postou, promover arrastão em pedágio não tem nexo nenhum, fugir pra onde?
vejam a grande mentira e como os gambas são protegido da imprensa……….
Sempre achei o tratamento dado às torcidas organizadas baseado no senso comum e na ignorância – o que aliás, é típico da imprensa esportiva brasileira. Mas o Flávio Prado é demais. O cara é um poço de preconceito, sempre disposto a julgar e condenar. Vive propagando coisas do tipo “é tudo vagabundo”, “tem que prender todos”, e até memo “não vá ao estádio”. Reparem e verão.
Obrigado pelo espaço mais um vez! Até mais!
Palmeiras – 20 mil pagantes
Palmeiras – 20 mil pagantes ao contrario da moda(bambi) e do time da imprensa (gamba) a nossa torcida em presença em estádio não tem para ninguem….enquanto a estreia do gamba foi o 3 pior publico da rodada …….a nossa foi um dos melhores públicos……….
O PIOR QUE A IMPRENSA BANDO DE FILHOS DA PUTA NÃO FALA NADA ..
SE FOSSE O TIMINHO NOSSA..ERA A SEMANA TODA FALANDO QUE ELES SÃO FIES………ELE SÃO UMA NAÇÃO…….. AGORA COMO E A TORCIDA DO PALMEIRAS ELES NEM FALAM NADA……
[...] Só que ninguém pedia a volta do volante, a torcida segurava uma faixa com os dizeres “Força Gão. Estamos com você”. Foi uma mensagem de apoio a Alessandro Camilo de Melo, o Gão, palmeirense baleado na volta do jogo contra o Flamengo (leia sobre o episódio aqui). [...]
Complementando, a Mancha também publicou uma nota de esclarecimento, em que acusa um tenente da polícia do Rio de Janeiro de ser ligado a uma organizada do Flamengo.
Vale ler: http://forum.manchaalviverde.com.br/viewtopic.php?t=18149
[...] Só que ninguém pedia a volta do volante, a torcida segurava uma faixa com os dizeres “Força Gão. Estamos com você”. Foi uma mensagem de apoio a Alessandro Camilo de Melo, o Gão, palmeirense baleado na volta do jogo contra o Flamengo (leia sobre o episódio aqui). [...]