A partir da dica de nosso leitor Gioia, quero destacar o belo texto do cineasta palmeirense Ugo Giorgetti, publicado no Estadão de domingo (para assinantes).
Analisando o impacto da desclassificação do time do Jardim Leonor, Giorgetti vai na veia ao mostrar como o que é divulgado pela imprensinha como “modernidade” da diretoria do time de lá lembra muito é a mais caricata malandragem.
As palavras de Giorgetti são perfeitas, com ironia e agudeza na medida certa. Cito o texto quase por completo:
Muricy Ramalho é a bola da vez. Finalmente o que costumava acontecer apenas em outros clubes atinge o organizado, estruturado, moderno, cosmopolita São Paulo F.C. E o que se vê é que o São Paulo é igual a qualquer outro clube brasileiro. Talvez seus dirigentes sejam um pouco mais educados, um pouco mais polidos, até mesmo mais espertos, mas na essência iguais aos outros.
A esperteza desses dirigentes pode ser observada em várias atitudes, a principal delas terem feito com que a torcida e, principalmente, parte substancial da imprensa, tomassem esse time que aí está por um grande time, um plantel excelente, “o melhor elenco do Brasil’’, segundo declarações recentes. Com a costumeira arrogante simpatia, difundiram essa impressão e pouca gente se deteve para examinar as coisas como elas realmente são, isto é, o São Paulo não é um time imbatível, muito pelo contrário. O São Paulo está até longe de ser um grande time e está na companhia da maioria dos demais clubes brasileiros, sujeito a altos e baixos, caprichos do acaso, etc, etc.
Criou-se, entre outras coisas, uma mística envolvendo a Libertadores, como se essa competição fosse uma espécie de especialidade do clube do Morumbi, como se possuísse sobre os demais clubes a chave do sucesso no torneio, como se para ganhá-lo bastaria participar apenas com sua camisa gloriosa. Esses malabarismos de puro marketing acabaram por colidir com a dura realidade. E esta nos indica, com a brutalidade com que habitualmente o faz, a clara verdade: não há mística nenhuma, não há superioridade de nome e de reputação que resista quando os times entram em campo e começa o jogo. Para ganhar é preciso jogar bola.
No entanto a imprensa, ou significativa parte dela, comprou o mito do grande time do São Paulo, como antes tinha comprado o mito do grande time do Internacional de Porto Alegre, quando do triunfo no Japão. Agora o Internacional também teve de se defrontar com a vida real e as coisas ficaram um pouco diferentes.
Nesse momento se persiste no mesmo engano. Enquanto a diretoria do São Paulo espertamente, e seguindo a fórmula de todos os outros clubes, joga a culpa sobre Muricy Ramalho, parte da imprensa quase colabora com isso, não conseguindo encontrar explicação adequada para as últimas derrotas.
Para complementar, convidaria o leitor a pensar sobre o impacto dessa imagem da diretoria do Jardim Leonor, projetada para e pela imprensinha, sobre os dirigentes de outros clubes. Se alguém diz que eles são o clube “moderno, organizado, estuturado, cosmopolita” implicitamente diz também que os outros são atrasados, bagunçados, sem estrutura e locais. Cada elogio a eles, tidos como monopolistas da boa administração, é uma crítica aos outros.
E informações (para assinantes) como esta, publicada pela Folha de S. Paulo de hoje (e sugerida pelo leitor Marco), vão para baixo do tapete no funcionamento cerebral dos comentaristas.
O São Paulo ameaça não participar da Timemania, a menos que o Senado faça nova alteração. Discorda da obrigação de confessar débitos que contesta na Justiça. Os são-paulinos usam uma dívida fiscal de R$ 30 milhões como exemplo. Em todas as instâncias até agora, o clube conseguiu a redução. Mas o governo recorre. Se o resultado não sair até a loteria ser regulamentada, o São Paulo precisa assumir o débito. Advogados, porém, vislumbram maneiras de contestar o pagamento, mesmo se a nova lei não for mudada.
Como fica a imagem de administração moderna ao admitirem uma dívida desse tamanho?
Justiça seja feita, rigor administrativo, contas em dia e planejamento são bons para qualquer clube. Mas não são exclusividade ou monopólio do Jardim Leonor. Nem devem ser falsamente usados como peças de marketing.
Amigos palmeirenses,
Esse assunto deveria ser mais debatido.
O texto colocado pelo Rafael é muito importante e oportuno. Essa coluna publicada no Estadão explica muita coisa que observamos no futebol.
A imagem plantada sobre os clubes define resultados, comportamentos, posturas de jogadores e de times. Ele pode impor o otimismo par uns e pessimismo para outros, acabando por influir nos destinos desses clubes.
Muito bom o texto.
Gerou até uma ótima discussão em uma comunidade palmeirense no orkut.
ótima visão
Pois é! Mondopalmeiras e OV fazendo escola! Excelente texto e digo mais: a pura verdade!
O texto é claro, racional e correto na sua análise. Vi comentaristas esportivos ditos “intelectuais” e críticos, como Juca Kfoury, falar que a diretoria do SP era assim e assado porque tinha pessoas como Juvenal Juvêncio, que entendia de futebol. O SP não tem nada de excepcional, exceto um marketing e uma imprensa esportiva, principalmente paulista, que não analisa com muita coerência nada, e que vai com a onda de quem está ganhando no momento. Precisa-se romper com a falta de conhecimento e falta de estudo da imprensa esportiva brasileira, para que o futebol, que é um fenômeno social, político e econômico muito forte no Brasil, possa se consolidar, modenizar e ajudar o país a crescer e se projetar não só pela força de seus jogadores, mas também pela sua força organizacional, administrativa e principalmente econômica. Aí seremos 10 vezes campeões mundiais fácil, fácil.
Isso pra mim não era surpresa alguma.
Os bambis sempre se acharam superiores e isso faz parte da história deles, pena que não faça parte da história real. É algo mais compatível à Warner e ao personagem Piu-piu, o mundo bambi da fantasia.
O grande “problema” no caso não é a esperteza das moças, mas a falta de competência da imprensa e dos outros clubes. Um pão com mortadela no intervalo do treino basta para mudar a imagem de um clube perante aos jornalistas (pra não generalizar, digo sobre 99,99% deles). Isso é triste, pra não falar bizarro.
As administrações dos clubes são amadoras sim, a relação clube x federação é amadora sim, a imprensa é amadora sim… Enfim, no mundo do futebol os únicos profissionais são os jogadores. Posso usar a mesma porcentagem: 99,99% “vestem” as características que citei.
Parece que no Palmeiras as coisas começaram a serem feitas de forma mais profissional e em menos de 3 meses de nova diretoria os resultados começaram a aparecer, desmistificando o que diziam sobre a diretoria dos bambis (profissionais, estruturados, etc).
Um trabalho um pouquinho bem feito no futebol já é diferenciado. Hoje temos pessoas na diretoria capazes de fazer um “muito bem feito”, só nos resta saber se terão tempo pra colocar as idéias em prática.
Às moças do jardim Heleonor eu deixo meus pêsames. Pra quem vive num conto de fadas, ler o “the end” deve ser dolorido!
Como diriam do lado rosa do muro, “Ai, como dói!”
Luciano, você falou uma coisa que quero enfatizar: o futebol é um fenômeno social, político e econômico. Não é só econômico, como pregam os amentantes do mercado; não é só politicagem, como agem outros. É tudo isso junto, mais história, tradição e cultura. E é assim que tem que ser considerado, com respeito a todos os times, pequenos, médios e grandes, que fazem a diversidade e a força do futebol. Chega de populismo gambá e marketagem bambi.
Já disse em algumas ocasioes no Mondopalmeiras, é o fim da ERA ARCO-IRIS. Eles tem que cair na realidade e parte da imprensa já quer isso tambem. O que o diretor do Gremio falou (chamou a diretoria dos bambis de sem etica e sem excrupulos) é veerdade e a mascara delees jah tah caindo. O q a imprensinha quer é sangue, dessa vez sangue rosa.
Palmeiras Eternamente
Acho que fica mais fácil para mim fazer uma análise mais imparcial, então para ser bem sucinto (sem querer se advogado do diabo):
1- Foi um exagero unfanista colocar o São Paulo como “especialista em Libertadores” – porém não dá pra negar ou ignorar um tricampeonato, gostem ou não.
2 – A imprensa de SP gosta de elevar em demasia um time quando os demais estão em baixa, e a bola da vez foi o São Paulo, o que absolutamente, não tira os méritos do clube e de suas conquistas.
3 – Mesmo com esses méritos, o São Paulo ainda precisa fazer muito fora de campo e de fato, todos os clubes são regidos mais por interesses espúrios do que por amor – motivo: MUITO dinheiro envolvido. Muito mesmo.
4 – Embora tenha problemas, o São Paulo, se comparado aos times paulistas, está a frente em termos de organização (Clube). Não é o melhor do mundo, mas o suficiente para dar ao clube uma situação mais confortável em relação aos rivais. Gostem ou não. Também não é por isso que precisa ser imitado.
Chego a seguinte conclusão. É preciso mais do que uma “administração moderna”, mas colocar os interesses do Clube na frente dos pessoais, é um primeiro passo. Os últimos clubes que tivemam problemas, Palmeiras, Fluminense, Botafogo, Grêmio, Portuguesa, Atlético MG, só começaram a erguer quando uma diretoria minimamente honesta assumiu.
Podem reparar. Basta um ano bom com um time médio e uma admistração razoável, para um time collher pelo menos umas 2 ou 3 boas temporadas. Do contrário, basta que o clube fique 6 MESES, na mão de SAFADO para ele afundar.
Isso só não vale para os times da Rede Globo, Corinthians e Flamengo. Para todos os outros, um deslise, e o abismo aparece..
Abraços da geral
T§
Gostaria de chamar a atenção para um detalhe muito importante em relação à imagem plantada sobre os clubes.
O grande problema nesse ufanismo sobre o São Paulo não está na análise dos resultados, mas sim na condição dada a esse clube para que alcance esses resultados.
A comparação com o clima que procuram envolver o Palmeiras é a melhor forma de entender o caso.
Esse mesmo time do São Paulo, com as mesmas comissões técnicas, com os mesmos jogadores e com os mesmos recursos materiais que tinha a disposição, não teria vencido nenhuma competição nos últimos anos, caso estivesse vestindo a camisa do Palmeiras.
Ao mesmo tempo, os últimos times do Palmeiras teriam conseguido algum título, caso estivessem atuando com a camisa do São Paulo.
Para eles, tudo foi a favor. Tiveram o apoio de Federação, campanhas publicitárias e de valorização feitas pela imprensa, arbitragens decisivas em jogos fundamentais e clima de otimismo em tudo.
Por outro lado, para o Palmeiras, tudo o que era ruim foi enfatizado. Torcida sendo incentivada a se revoltar contra o time nos jogos em casa, arbitragens pressionadas para errar contra o Palmeiras, notícias plantadas para criar tumulto dentro do elenco e outras situações do tipo.
Logicamente, esse tipo de trabalho só encontrou respaldo devido à inocência, falta de malícia e em alguns caso até falta de inteligência por parte dos nossos jogadores, treinadores e até de torcedores.
No futebol extremamente equilibrado dos dias de hoje, qualquer fator que possa diferenciar uma equipe pode colaborar com o sucesso ou o fracasso em uma competição.
Acredito que essas características são as que mais justificam essas discussões sobre a comparação entre o clima imposto ao Palmeiras e ao vizinho. Tendo consciência dessa influência, pelo menos do lado do Palmeiras, teremos a certeza de que não conseguirão atrapalhar.
nao vejo nada de organizado no sao paulo…eles só sao um pouco menos desorganizados…quem conhece o clube do jardim leonor, sabe disso…eu conheço, pois tenho amizade com conselheiro bambi, e o que acontece em joda da libertadores nos vestiarios dos bambis, é uma coisa de louco…pressao com ameaças aos arbitros e time adversario…só pra ficar no basico…o que se tem que aprender com eles é a jogar sujo nos bastidores e esquemas pra ganhar campeonatos…isso eles sao muito bons mesmo, melhores ate que o gamba!
“O São Paulo ameaça não participar da Timemania, a menos que o Senado faça nova alteração. Discorda da obrigação de confessar débitos que contesta na Justiça. Os são-paulinos usam uma dívida fiscal de R$ 30 milhões como exemplo. Em todas as instâncias até agora, o clube conseguiu a redução. Mas o governo recorre. Se o resultado não sair até a loteria ser regulamentada, o São Paulo precisa assumir o débito. Advogados, porém, vislumbram maneiras de contestar o pagamento, mesmo se a nova lei não for mudada.”
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Essa, para mim, é nova. É curioso que o Palmeiras tenha uma dívida de pouco mais de R$ 16 milhões alardeada pela “imprensinha” (e até aumentada para absurdos R$ 40 mi), enquanto os Bambizinhos tenham um rombo de absurdos R$ 30 milhões, FRUTOS DE SONEGAÇÃO, que os jornalistas fazem questão de esconder.
É assim que eles montaram os timinhos que ganharam os Torneios Intercontinentais em Tóquio? Com dinheiro sonegado?
Parabéns, BAMBIS. DEMOROU, MAS SUA MÁSCARA CAIU. VOCÊS NÃO SÃO E NUNCA FORAM MELHORES DO QUE NINGUÉM.
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Palmeiras, 1º Campeão do Mundo. Gostem ou não.
Pois é… sonegação fiscal não seria novidade nos domínios tricolores.
O problema é que a maioria dos jornalistas esportivos dos sites e jornais é muuuito nova, não conheceu (nem se interessou em estudar) a história “oculta” do time do Jardim Leonor.
Por exemplo, FALIRAM DUAS vezes na década de trinta.
Não tinham estádio até a década de 40.
Tentaram tomar o Palestra Itália do Palmeiras. Não conseguindo, TOMARAM o Canindé da Sociedade Germânica, de graça, com apoio do governo.
O que conseguiram de graça – o Canindé – foi VENDIDO para a Portuguesa de Desportos.
E o terreno do Jardim Leonor foi vendido para eles pela imobiliária do então GOVERNADOR DE SÃO PAULO… e cartola do time ! A preço de banana, lógico, terras que eram do Estado de São Paulo…
Será que se essa história fosse divulgada algum tricolor mais consciente cantaria as “glórias que vem do passado” ?