Uma das primeiras coisas aprendidas no jornalismo é que um fato reportado deve ser escorado por seis referências: Quem, O quê, Onde, Como, Quando, e Por quê.
Esse conjunto de cláusulas é uma espécie de fiador da verdade dos fatos. Uma garantia de que o jornalista se atenha ao que efetivamente aconteceu, e não saia reportando coisas inventadas em sua cabeça — ou na cabeça dos outros.
Quer ver um exemplo da utilidade dessas regrinhas?
Sábado 05/5, saiu no Painel da Folha de São Paulo a seguinte nota (apenas para assinantes):
Moleza. A oposição palmeirense cobra mais firmeza da diretoria em relação à BWA, responsável pelas catracas no Parque Antarctica. Diz que a empresa tem autonomia demais no clube.
Vamos usar as regras básicas:
Quem – “A oposição palmeirense”. Um tanto vago não? Essa oposição tem nome? É um conselheiro? Um agregado? É uma pessoa? Um grupo?
O quê – “cobra mais firmeza da diretoria (do Palmeiras) em relação à BWA”. Isso significa o que exatamente, “cobrar mais firmeza”? É uma revisão de contrato? Ameaça de rescisão? Chamar pro braço?
Quando – Não é especificado. Pelo tempo verbal, parece que vem acontecendo desde não se sabe quando.
Onde – Tambem não especificado. Num chute, apostaria que isso vem rolando nas alamedas do Palestra. Ou nos restaurantes das redondezas, talvez.
Como – Hmmm… Como será que a oposição vem cobrando a diretoria? Com uns telefonemas anônimos? Deixando bilhetes espetados com facas nas portas do CT?
Por quê – “(A oposição) Diz que a empresa tem autonomia demais no clube”. Certo. Talvez os dirigentes da BWA estejam atrasando repasses. Ou pendurando contas na cantina do clube, enrolando pra pagar. Vai saber…
Agora eu pergunto: qual é o fato, no fim das contas? Afinal, trata-se de uma denuncia vaga feita por uma entidade vaga. Dá margem a tantas interpretações que fica difícil chegar a algum lugar.
Isso não é jornalismo. É boataria. Notícia plantada.
Desinformação na cara dura.
Ao abrir espaço para esse tipo de coisa, o editor do Painel FC, Ricardo Perrone, age — como bem definiu o Rafael — como garoto de recados. Um papel bem pouco recomendável para quem se diz jornalista.
Resta saber quais os motivos para tanto.
É… o Painel FC sempre prestando um desserviço ao Palmeiras e aos palmeirenses. A pergunta, até fácil de responder, é: por que?
Ah, e esse Ricardo Perrone não é o mesmo que escreve para sites bichisticos: estacaotricolor.net, http://ricaperrone.zip.net ??
Mundando de assunto… ontem como o Caio Jr. estava no Gazeta Esportiva resolvi assistir. E fiquei (nem sei porquê) indignado com a cobertura do jogo treino… Simplesmente ignoraram os gols dos reservas Caio e William e só passaram os gols do Paulista, frisando várias vezes que o Palmeiras perdeu de 2 x 0. Também cansaram de repetir, a ‘furada’ do Edmundo, e soltaram a seguinte pérola: “A dupla Edmundo e Osmar, passou em branco MAIS UMA VEZ”.
Como assim “passou em branco mais uma vez” ??? No último jogo treino Edmundo fez 2 gols, além de também ter marcado na última vez que esteve em campo pelo Paulista, contra o Guarantiguetá. Já Osmar, também marcou 2 vezes no último jogo do Paulistão, contra o São Bento.
Tsc, tsc… e olha que beleza de manchete no UOL “Em crise, Corinthians e Palmeiras completam 90 anos de rivalidade”.
Opa!
Pois é, Morollo… Essa notícia do jogo-treino é realmente um disparate sem tamanho. Contabilizar só os 45 minutos em que o Palmeiras levou gol é o cúmulo da falta de noção. Vamos comentar isso aqui sim.
Já a manchete do UOL tb é um absurdo. Li a chamada no sábado e tinha até considerado um post sobre o despropósito de se comparar a situação do Palmeiras com a do Corinthians (esta, um caso de polícia). Mas segunda-feira de manhã já tinha saído da página de esportes do portal…
Grande abraço!
Respondendo ao Morollo: Esse Ricardo Perrone do Painel FC não é o ricaperrone, do Estação Tricolor e do blog q vc citou. Apesar de Bambi, o RicaPerrone costuma ser coerente, parece até ser uma pessoa boa. Já o Perrone da Folha a gente percebe de longe que é um pilantra. Aliás, acompanho o blog do RicaPerrone há um bom tempo (na época que ele falava mais de F-1 – motivo pelo qual eu entrava lá- e menos do sao paulo, e volta e meia ele ‘esclarecia’ lá que ele não é o ricardo perrone da folha.
Ao pesoal do Obs. Verde:
Continuem com o bom trabalho pessoal. Descobri o blog há poucos dias, mas já sou freqüentador assíduo!
abraços alviverdes,
Klauber Tofanetto.
Um exemplo didático sobre a falta de profissionalismo nas coberturas sobre o Palmeiras aconteceu no Brasileiro-2006.
Nenhum jornalista e nenhum veículo de imprensa observou que o zagueiro Antônio Carlos deveria ter sido expulso, quando defendeu com o braço um gol do Palmeiras. O árbitro marcou a penalidade, mas não expulsou o zagueiro do Juventude.
Cobrei uma explicação sobre essa omissão da imprensa, pessoalmente ao Mauro Beting. Ele estava ao lado do José Silvério.
Perguntei a ele se essa falha do árbitro não seria um erro de direito e quais os motivos que teriam levados os jornalistas a não destacar um fato desse tipo?
Perguntei também: E se fosse ao contrário, lembrariam que a expulsão deveria acontecer?
Não houve resposta, apenas um aceno com a cabeça.
Essa jogada aconteceu no começo do jogo em Caxias e poderia ter mudado toda a partida. A derrota em Caxias colocou o Palmeiras em risco de rebaixamento.
Aproveito também, para mais uma vez ressaltar a feliz iniciativa do “Observatório Verde”. Espaços como esse serão fundamentais para que o Palmeiras possa conseguir seus objetivos. Servirão para nossa coletividade atuar como fiscalizadora sobre quem não mede esforços para prejudicar nosso clube.
Opa!
Klauber, muitíssimo obrigado mesmo pelos elogios e pelos esclarecimentos! Essa similaridade de nomes vem dando em confusão não é de hoje…
Marco, grande episódio esse do Beting! Acreditamos ser esse mesmo o caminho, o da análise e da crítica justa. Afinal, apesar de se comportar como tal, a imprensa não paira acima do resto dos mortais…
Grande abraço!
Quanta mentira, quanta mentira…tsc,tsc,tsc….