Periquito Mártir – O Periquito Mártir é um fenômeno recente, fruto dos tempos da fila. É aquele garoto que, no começo de sua jornada de torcedor, deu a infelicidade de pegar o Alviverde numa seca de títulos. Para esse guri, aqueles anos críticos entre o fim da infância e o começo de adolescência são um calvário, um sofrimento, um deserto de taças e troféus.
O amor desse pequeno torcedor pelo Verdão resiste a tudo. Suportando sobre seus pequenos ombros as gozações das finais perdidas e as desmoralizações pelos times pífios e lutas contra o rebaixamento, o Periquito Mártir não esmorece em sua fibra. Apesar das agruras, ele sabe que sua torcida sofrida é o motor de uma causa maior, e que, mesmo contra todas as circunstâncias, ainda dá pra levar o caneco.
Invariavelmente, o Periquito Mártir torna-se um palmeirista destacado na idade adulta. Por conta do hiato de títulos, sua formação palestrina é muito forjada num estudo profundo da gloriosa história do clube, resultando numa sólida bagagem futebolística. Como o moleque que, com 17 anos, consegue contar em detalhes a final de 73.
Sensacional! Não tinha lido ainda estes textos sobre os tipos humanos encontrados nas arquibancadas e numeradas do Parque. Só não concordo que o periquito mártir seja tão recente, pois eu me encaixo (ou me encaixei) nessa categoria e já tenho quase 30 anos. Claro, vivi minha infância nos amargos anos 80, então isso explica porque na minha adolescência eu já era fera na história de um Palmeiras que eu não tinha visto. Depois vieram os maravilhosos anos 90 e depois… bom, deixa pra lá.
Opa!
Pois é, Márcio. Você tem razão, me expressei mal… Quer dizer, o Periquito Mártir não é tão recente assim. Até porque eu também estou batendo nos 30 e me forjei palmeirista ali nos anos 80. Só quem cresceu na fila sabe o que foi aquilo…
Grande abraço!
Brilhante as ilustrações dos tipos palmeirenses. Acho que há o palmeirense que, como eu, hoje está na faixa dos 25 anos e que, gostaria nunca ter crescido! Ter parado nos 17, 18 anos, lá no final dos anos 90…
Haha. Pô, verdade… Vale uma análise. Vamos garibar isso aí . Afinal, a série continua…
Grande abraço!
Eu também sou um mártir de 29 anos, sempre achando que agora vai…
Nesse caso, a carapuça serviu direitinho… Lembro que, por ter nascido em 1976, e só ter visto o Palmeiras ser campeão quando tinha por volta de 16 anos, tornei-me “especialista” na história do clube – principalmente em relação às fases mais gloriosas.
Muito bom, esse post, tinha pasado despercebido por mim.
Me encaixo perfeitamente nele, nasci em 1974, ano do famoso título com gol de Ronaldo.
Só pude ver e entender meu Palmeiras campeão em 1993, como a maioria aqui.
Tinha um tio avô, filho de italianos que era palmeirense fanático. Ele influenciou meu pai que por sua vez com a ajuda do tio me influenciou. Tem uma passagem de 1979, quando eu tinha apenas 5 anos, e sobre a qual tenho alguns flashes vagos na memória mas que meu pai sempre conta. É sobre quando o time montado por Telê que vinha muito bem no brasileirão acabou eliminado pelo Inter de Falcão. Eu estava escutando o jogo pelo rádio com meu pai e o tio Dino. Quando a eliminação se confirmou eu chorei, chorei muito, chorei feito criança que de fato era.
Abraços.
Nasci em 73,e me identifico plenamente com esse texto!
Os anos 80 apesar da escassez de titulos foram fantásticos nas aruibancadas!